CARRAPATOS EM BOVINOS EXIGEM ATENÇÃO REDOBRADA NESTA ÉPOCA DO ANO
Calor e umidade favorecem infestação do parasita, que pode reduzir a produção de leite, comprometer o ganho de peso e transmitir doenças ao rebanho
A combinação entre temperaturas elevadas e maior umidade favorece a proliferação de carrapatos nas propriedades rurais. Por isso, os produtores devem redobrar a atenção com o manejo sanitário do rebanho nesta época do ano, já que o parasita pode provocar prejuízos significativos à produção.
Segundo a Embrapa, o carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) é um dos principais ectoparasitas que afetam a pecuária bovina no Brasil. Ele se alimenta do sangue dos animais, causando estresse, queda de desempenho produtivo e maior suscetibilidade a doenças.
Mesmo infestações aparentemente pequenas podem causar impactos econômicos importantes nas propriedades.
“Nos bovinos, a presença de apenas um carrapato adulto pode provocar a perda de aproximadamente 9 mililitros de leite e cerca de 1,4 grama de carne por dia, devido ao estresse causado no animal. Quando a infestação é elevada, o prejuízo para o produtor pode ser significativo”, explica a médica-veterinária e promotora técnica da JA Saúde Animal, Lorena Rosa de Jesus.
O carrapato também provoca lesões na pele dos bovinos, o que pode favorecer dermatites e a ocorrência de miíase, conhecida como bicheira. Outro fator de preocupação é que o parasita atua como vetor de doenças importantes para a pecuária, como a tristeza parasitária bovina (TPB), que pode provocar anemia, febre, perda de peso e até levar o animal à morte.
Grande parte dos carrapatos está na pastagem
O controle dos carrapatos exige atenção não apenas aos animais, mas também ao ambiente.
Conforme estudos da Embrapa, a maior parte deles não está sobre o bovino, mas sim na pastagem. Após se alimentar, a fêmea se desprende do animal e cai no solo, onde deposita milhares de ovos que darão origem a novas larvas.
Esse ciclo explica por que as infestações podem aumentar rapidamente nas propriedades quando não há controle adequado, o qual precisa ser feito de forma planejada e contínua.
O monitoramento frequente dos animais, aliado ao uso correto de carrapaticidas e à orientação técnica, são medidas essenciais para reduzir a população do parasita.
“O controle estratégico permite reduzir gradualmente a infestação e evitar prejuízos maiores na produção. O ideal é que o produtor conte com orientação técnica para definir o manejo mais adequado para a propriedade”, orienta Lorena.
Ela acrescenta que outra característica desejável de um protocolo antiparasitário é contar com produtos de longa ação, ou seja, que possibilitem menor número de aplicações durante o ano e menor estresse ao rebanho.
A orientação profissional é de fato relevante, uma vez que, segundo dados da Embrapa, a cada ajuntamento do rebanho para procedimentos de manejo há prejuízo de aproximadamente 3 kg de peso por animal, devido ao estresse.
Prejuízos causados pelos carrapatos no rebanho
Redução da produção de leite
Menor ganho de peso dos animais
Estresse e queda no desempenho produtivo
Lesões na pele e dermatites
Transmissão de doenças relevantes, como a TPB