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CBT no Leite

O rigor na limpeza dos equipamentos de ordenha se reflete nos resultados de CBT do leite. Confira o passo a passo para uma higienização eficaz.  

 

 

A época das águas, marcada por altas temperaturas e chuvas intensas, traz inúmeros desafios para os pecuaristas de leite, sobretudo, para aqueles que utilizam o sistema a pasto, parcialmente ou durante todo o ano.

Um dos principais desafios tem a ver com o risco de aumento da Contagem Bacteriana Total (CBT) do leite, em razão da maior sujidade do ambiente, característica desse período.  

A CBT é um dos principais indicadores de qualidade do leite, cujo resultado impacta na bonificação a ser recebida pelo produtor. Três fatores principais afetam a CBT: 1) a higiene durante a rotina de ordenha (desinfecção dos tetos, higiene do ordenhador e da sala de ordenha); 2) a limpeza e manutenção dos equipamentos de ordenha (tubulações e tanque); e 3) o resfriamento do leite.

Nesta matéria, vamos focar no passo a passo para uma higienização eficaz dos equipamentos de ordenha e nos cuidados que o produtor deve ter com a limpeza e manutenção do tanque de refrigeração.

 

Limpeza do equipamento de ordenha

Em linhas gerais, a higienização do equipamento de ordenha é composta por quatro ciclos de limpeza, com características específicas em termos de duração, tipo de solução usada e temperatura da água, entre outros.

Segundo Felipe, são seis os aspectos aos quais o produtor precisa estar atento ao executar os quatro ciclos de limpeza. São eles:

  • Tempo: duração da circulação de cada ciclo. 

  • Temperatura da água: específica para cada ciclo; determina a eficiência da limpeza.

  • Volume: quantidade de água usada em cada ciclo.

  • Equilíbrio químico: refere-se à dosagem dos produtos usados em cada etapa.

  • Velocidade: tem a ver com a pressão que a água exerce no interior do equipamento (ação mecânica de limpeza).

  • Drenagem: após cada ciclo, é necessário fazer a drenagem total do equipamento.

 

O primeiro ciclo, denominado Enxágue Pré-limpeza, consiste em enxaguar a tubulação com água morna até que ela retorne ao seu aspecto visual normal, eliminando a maior carga de resíduos do leite. Importante destacar que as proteínas podem cozinhar na superfície do equipamento se a temperatura da água for maior que 43oC, assim como as gorduras podem se solidificar à temperatura de 34oC. 

A Lavagem Alcalina é um dos ciclos mais importantes, por eliminar resíduos de gordura e proteína do leite do equipamento. 

Esse processo exige um cuidado maior com a temperatura da água, que não deve baixar dos 50oC, como explica o consultor: “Embora os manuais indiquem uma duração de 10 minutos para a lavagem alcalina, eu recomendo aos produtores uma duração de oito minutos. Pela minha experiência, notei que é melhor fazer um ciclo mais curto de limpeza, do que correr o risco de prolongar esse processo e a temperatura da água baixar para menos de 50oC, o que fará com que a gordura do leite fique incrustada nas paredes das tubulações, prejudicando sua higienização”.  

O consultor afirma que o uso de injetores de ar tem se tornado mais comum, por aumentarem a eficiência da limpeza. “Eles aumentam a pressão da água que passa pelas tubulações, realizando uma ação mecânica de retirada de resíduos. São itens que podem ser incorporados a qualquer tipo de máquina”, destaca.

Outro desafio diz respeito à drenagem completa do equipamento entre um ciclo e outro. Essa é uma etapa crucial, pois, se houver a interação das diferentes soluções de limpeza, a sua eficácia estará comprometida.

“Se um produto ácido se chocar com um produto alcalino, um neutralizará o pH do outro. Daí a importância da drenagem, que pode ser feita de forma manual, pelo ordenhador. No entanto, existem no mercado válvulas que fazem uma drenagem automática e que incrementam o processo de higienização do equipamento”. 

Assim como os injetores de ar, as válvulas de dreno automáticas também se encaixam nos diferentes tipos de sistemas de ordenha.

Felipe conta que, por muito tempo, o Enxágue Ácido era indicado para ser realizado apenas uma vez por semana, mas que a recomendação atual é que seja feito após cada ordenha. “O cloro usado na lavagem alcalina é muito agressivo para as peças de borracha. O ácido neutraliza os resíduos alcalinos e de cloro, prolongando a vida útil desses componentes e, ainda, previne depósitos minerais na tubulação”, ensina.

A Sanitização do equipamento antes do início da ordenha também se tornou uma prática comum nos últimos anos. Esse processo contribui muito para manter a CBT sob controle e deve ser realizado 30 minutos antes de cada ordenha. “A sanitização elimina bactérias que porventura tenham sobrevivido à limpeza do equipamento entre uma ordenha e outra, garantindo assim que ele está impecável para receber o leite”.

 

 

Tanque de refrigeração do leite: limpeza e cuidados

Para alcançar bons resultados de CBT, a higienização do tanque de refrigeração do leite merece a mesma atenção dada à tubulação. Muitas vezes, a sanitização do tanque é negligenciada, impactando na qualidade final do leite.

Os mesmos princípios usados na limpeza da tubulação se aplicam à desinfecção do tanque de leite, que deve ser feita sempre logo após a sua captação. Dessa forma, evita-se que resíduos fiquem incrustados na bacia do tanque.

"Para efetuar a lavagem do tanque, o produtor costuma usar um detergente de uso geral. No entanto, já existem no mercado opções de detergentes alcalinos que conferem uma maior eficiência à limpeza do tanque", explica.

No caso de tanques com limpeza automática, é importante que o produtor fique atento se os processos estão sendo feitos de forma satisfatória. Para isso, é fundamental manter a Assistência Técnica Preventiva em dia e contar com ajuda especializada.


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